MICROALGAS

As microalgas são algas unicelulares, de tamanho microscópico, que podem ser encontradas em vários tipos de ecossistemas. As microalgas são dos organismos mais antigos no planeta, com origem há cerca de 3,500 milhões de anos, e dos mais diversificados.

As microalgas constituem um sistema biológico bastante eficiente na transformação da energia solar em compostos orgânicos, através da fotossíntese. Podem duplicar a sua biomassa diariamente, com produtividades possíveis na ordem das 60 ton/ha/ano.

Quando comparadas com as plantas superiores, as microalgas apresentam melhores taxas de crescimento do que estas, não sendo tão dependentes das variações sazonais. O facto de serem plantas não vasculares permite que a biomassa produzida seja completamente aproveitada, contrariamente às plantas superiores, nas quais os produtos se concentram em estruturas como folhas, raízes, casca, sementes, etc.

O facto destes microrganismos se reproduzirem, normalmente, por simples divisão binária, não apresentando na maioria dos casos estágios sexuais diferenciados, permite que se complete um ciclo celular em poucas horas. Este facto, aliado à sua relativa simplicidade, torna as microalgas em organismos alvo de novas tecnologias no âmbito do melhoramento genético e da biotecnologia.

O conceito de biotecnologia de microalgas é essencialmente o mesmo da agricultura convencional: utilização da sua capacidade fotossintética para a produção de biomassa a ser utilizada como fonte alimentar, energética e de compostos químicos para diversos fins.

A fotossíntese consiste na conversão da energia da luz em energia química. Com efeito, na presença da luz, dióxido de carbono (CO2) e água em abundância, as plantas e outros organismos protistas têm a capacidade de produzir oxigénio e fixar o carbono. Dessa forma, os átomos de carbono provenientes do CO2 são incorporados em moléculas de açúcar, aminoácidos e outros compostos.

De todos os nutrientes, o carbono é aquele que assume maior preponderância. As microalgas fixam-no através da fotossíntese, sendo necessário adicioná-lo continuamente às culturas, de modo a aumentar a produtividade dos sistemas. Durante o mesmo processo, libertam O2 para a atmosfera.

As microalgas são compostas por proteínas, hidratos de carbono, fibras, carotenóides, ácidos gordos, sais minerais, vitaminas, enzimas, péptidos e esteróis, cujos valores dependem da espécie e do processo de produção. Atualmente, são utilizadas numa ampla variedade de aplicações tecnológicas, que vão desde a indústria alimentar, rações para animais, cosmética, farmacêutica, produção de energia, tratamento de efluentes, bioplásticos, etc.